Análise: Block’hood (PC)

 

 

 

Quase sempre é legal se ter um jogo com ação, explosões, perseguições e tudo mais que possa parecer intenso; mas eventualmente é bom ter um jogo tranquilo para se voltar. E não falo isso no sentido de baixa ou alta dificuldade, mas sim aquele jogo para dias de extrema preguiça quando tudo que se quer é encostar para trás com uma postura péssima e interagir com algo bonito na sua tela, e Block’hood é um ótimo jogo para esses dias.

Block’hood lembra bastante, pelo menos inicialmente, Sim City, mas em uma escala menor… bem menor. O próprio nome do jogo apresenta o conceito de vizinhança no qual ele trabalha, mas até isso pode dar uma ideia não adequada do jogo. Simplificando, seu objetivo é criar uma vizinhança autossustentável onde todos sejam felizes – em um grid muito menor que quase todos simuladores de cidade. Se for por um lado mais complexo, posso dizer que há um modo história com pequenos objetivos a cumprir que funcionam como tutorial; mas seu objetivo como jogador sempre vai ser o criar a “vizinhança perfeita”.

O título é muito mais “atmosférico”, com praticamente todos seus aspectos convergindo para um clima relaxante; desde a escolha de fonte e paleta de cor até mesmo sua trilha sonora, que, apesar de não ser necessariamente marcante, condiz perfeitamente com a proposta do jogo. Todo seu aspecto visual também é bem agradável, com elementos gráficos bem modelados e coerentes entre si, formando uma identidade visual sólida para o jogo, que harmoniza muito bem com tudo dito até agora. Talvez a exceção à regra seja sua jogabilidade, um pouco mais árdua do que o que se esperaria da proposta.

Block’hood não alivia tanto quanto se espera na estratégia. Existe uma imensidão de recursos para se trabalhar e cuidar de todos eles não é uma tarefa fácil e talvez nem relaxante como o resto do jogo promete ser. Inclusive, o pequeno grid traz um espaço limitado para resolução de problemas, o que às vezes torna um pouco estressante ter que resolver alguns deles. Principalmente o ritmo do jogo do jogo, em que blocos colocados pelo jogador (lojas, moinhos, árvores, ou o que seja) se deterioram por falta de recursos muitas vezes em um efeito cascata, quebra totalmente o “zen” que o jogador pode estar buscando naquele momento.

Há, no entanto, um modo tutorial para que o jogador se familiarize com as mecânicas e um modo sandbox, no qual o jogador pode criar à vontade,ligando ou não para os recursos, o que é uma adição muitíssimo grata para este tipo de jogo. Se o jogador não estiver nem aí para o relaxamento, existe também um modo de desafios, para pegar aqueles que se aprofundaram mais nas mecânicas. Também existe uma opção para facilitar o jogo para os que desejam uma experiência mais tranquila, permitindo recuperar blocos que estejam decaídos.

Também temos um modo história, que é essencialmente um tutorial, só que muito longo. Eu normalmente reclamaria disso, mas esse não é um jogo para quem está com pressa. O modo história também nos revela o aspecto que achei mais peculiar do jogo: sua narrativa. Não há nada de excepcional a se dizer, mas ela é bem única, focando na comédia, mas não da forma que estamos habituados. Os diálogos de Block’hood se parecem muito com de programas infantis de televisão, que, apesar de potencialmente deixarem o jogo parecendo um pouco bobo, acrescentam um toque de unicidade e leveza ao título.

Talvez minha maior reclamação com Block’hood seja a falta de suporte a joystick. Inclusive, isso pode ter influenciado minha opinião sobre a falta de harmonia entre jogabilidade e atmosfera ou temática. Lembra quando falei que tem dias que tudo que se quer é se encostar com uma postura péssima para jogar? Não consegui. Parece um pouco trivial mas ter que ficar preso ao teclado e mouse quebrou um pouco a minha sensação de relaxamento e de atitude casual perante o jogo. É notável que o jogo foi feito com o mouse em mente como meio de interação e que jamais seria igualmente otimizado para o joystick, mas, em alguns jogos, a opção é mais importante que a otimização. Mesmo que o controle me deixasse mais lento no jogo, não teria problema e, se duvidar, eu até mesmo gostaria mais. Caso você se sinta mais confortável que eu com mouse e teclado, Block’hood pode ser mais bem-sucedido em sua proposta.

Apesar de ser potencialmente raso e entendiante para quem busca um jogo de estratégia de construção de cidades e um pouco exigente demais para quem busca apenas umas horas de tranquilidade Block’hood oferece uma experiência satisfatória se você busca um pouco de ambos. O jogo também fornece um novo tipo de desafio para jogadores como eu, que não se contentam com funcionalidade se não houver beleza. Se você quiser admirar a beleza de pequenos jogos com pequenos escopos e respirar um pouco de ar puro no meio de todo os tiroteios e batalhas dos jogos, Block’hood é uma ótima pedida.

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