Com medo de Bolsonaro ser Presidente; deputadas petistas pedem punição para Jair Bolsonaro por crime de ¨racismo¨

Deputadas do Partido dos Trabalhadores indignadas com as declarações dadas pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) consideradas como racistas durante palestra no clube Hebraica do Rio de Janeiro, protocolaram denúncia e um pedido de investigação contra o político junto à Procuradoria Geral da República.

Entidades brasileiras criticam e entram na Justiça contra discurso de Bolsonaro
WILSON DIAS/AGÊNCIA BRASIL
Deputado Bolsonaro é criticado após polêmica palestra em clube judaico no Rio

Durante a palestra, Bolsonaro, que é pré-candidato a Presidência da República em 2018, é acusado de fazer afirmações preconceituosas e jocosas contra negros, comunidades quilombolas, indígenas, mulheres, gays, judeus, refugiados e integrantes de ONGs.

Outras entidades, como a Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e a organização Terra de Direitos também protocolaram ações contra Bolsonaro na Procuradoria Geral da República pelas declarações preconceituosas ao desqualificar os indivíduos quilombolas em geral e comparar um de seus representantes a um animal. 
a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) que lidera a ação, junto com as deputadas Maria do Rosário (PT-RS) e Érika Kokay (PT-DF) avalia que o deputado Jair Bolsonaro desta vez passou de todos os limites em suas declarações racistas. “O que ele está fazendo é uma coisa terrível. Nós sempre relevamos as coisas que ele diz, mas dessa vez foi demais, ele foi longe demais. É grave e nós já tomamos essa providência de entrar com uma representação contra ele.”
“Aquela em que ele diz que o afrodescendente pesava mais de 7 arrobas e não servia nem mais para procriação. Isso é racismo, é bullying da gordura do outro e por outro lado deu um tratamento animalesco para ele. Nós sabemos que arrobas é para massa de boi e não para um ser humano.”
A deputada espera que com a representação, Jair Bolsonaro seja punido conforme com a Constituição Brasileira, que diz que diante de qualquer discriminação, a prática do racismo constitui crime inafiançável, sujeito a pena de reclusão. Benedita da Silva lembra ainda as normas do Estatuto da Igualdade Racial. “O Estatuto da Igualdade Racial diz que para quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional  há uma pena de reclusão que vai de um a três anos de prisão e multa.”
Deputadas do PT e Organizações Quilombolas e de de direitos de negros e negras em representação na PGR contra o deputado Bolsonaro
DIVULGAÇÃO/DEP MARIA DO ROSARIO
Deputadas do PT e Organizações Quilombolas e de de direitos de negros e negras em representação na PGR contra o deputado Bolsonaro
Segundo Benedita da Silva, o deputado Bolsonaro concedeu todos os argumentos para que ele seja criminalizado.
“Nós temos todos os elementos para criminalizá-lo. Até porque ele mesmo quem deu os elementos, que disse que chegando a presidência da República não demarcaria mais terras indígenas e quilombolas. Só que tanto quilombolas quanto indígenas estão protegidos pela Constituição Federal de incentivo e de estimular as diferentes etnias, e as diferentes etnias no Brasil são negros e indígenas, e lógico o branco, mas o branco já tem o seu papel e o seu lugar.”
A deputada ainda ressaltou que as declarações de Bolsonaro e a mobilização de várias entidades entrando com representações pedindo punição para o político, mostra que o país está em um momento onde já não mais se permite o silêncio diante do preconceito contra as minorias. “Esse momento é o grande momento. O povo brasileiro tem que se manifestar. Nós não podemos tolerar racismo, discriminação, homofobia, nada disso. Várias instituições do movimento negro, dos quilombolas, das comunidades indígenas tem neste final de semana um ato (em repúdio as declarações de Bolsonaro).”
Além das representações e nota de repúdio a Conaq e a organização Terra de Direitos, enviaram nesta sexta-feira (7) uma denúncia sobre as declarações de Bolsonaro para a Relatoria Especial da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra.