Cultura de Cabo Verde

Cultura de Cabo Verde

 Artesanato
O artesanato tem grande importância na cultura cabo-verdiana. A tecelagem e a cerâmica são artes muito apreciadas no país. Produzido quer para utensílio, quer para decoração, o artesanato do Cabo Verde é muito singular e é verdadeiro instrumento de expressão da cultura popular.Hoje em dia, ele é igualmente atração para os turistas, constituindo seu fabrico e comercialização o único meio de subsistência para algumas famílias.

Literatura
A literatura cabo-verdiana é uma das mais ricas da África lusófona.
Poetas
Sérgio Frusoni, Eugénio Tavares, B.Léza, João Cleofas Martins, Ovídio Martins, Jorge Barbosa, Corsino António Fortes, Baltasar Lopes da Silva (Osvaldo Alcântara), José Lopes, Pedro Cardoso, Manuel Lopes, António Nunes, Aguinaldo Fonseca, Teobaldo Virgínio, Gabriel Mariano, Ovídio Martins, Onésimo Silveira, João Vário (Timóteo Tio Tiofe), Oswaldo Osório, Arménio Vieira, Vadinho Velhinho, José Luís Tavares, Vera Duarte, Gabriel Mariano, Amílcar Cabral, Arthur Vieira, etc.
Escritores
Manuel Lopes, Germano Almeida, Luís Romano de Madeira Melo, Orlanda Amarílis, Jorge Vera Cruz Barbosa, Pedro Cardoso, José Lopes, Mário José Domingues, Daniel Filipe, Mário Alberto Fonseca de Almeida, Corsino António Fortes, Arnaldo Carlos de Vasconcelos França, António Aurélio Gonçalves, Aguinaldo Brito Fonseca, Ovídio de Sousa Martins, Henrique Teixeira de Sousa, Osvaldo Osório, Dulce Almada Duarte, Filinto Elísio, Manuel Veiga.
Obras literárias célebres
Chiquinho (Baltasar Lopes da Silva), Os Flagelados do Vente Leste, Chuva Braba (Manuel Lopes), O Testamento do Senhor Napomuceno da Silva Araújo (Germano Almeida), revista Claridade, Hora di Bai (Manuel Ferreira).
Música
Na música, há diversos gêneros musicais próprios, dos quais se destacam a morna, o funaná e a coladera. Cesária Évora é a cantora cabo-verdiana mais conhecida no mundo, conhecida como a “diva dos pés descalços”, pois gosta de se apresentar no palco assim.

O sucesso internacional de Cesária Évora fez com que outros artistas caboverdeanos, ou descendentes de caboverdeanos nascidos em Portugal, ganhassem maior espaço no mercado musical. Exemplos disso são as cantoras Sara Tavares e Lura.

O povo caboverdeano é conhecido por sua musicalidade, bem expressa por manifestações populares como o Carnaval de Mindelo, cuja importância faz com que a cidade seja conhecida nos dias dos festejos momescos como “Brazilim” (ou “pequeno Brasil”).

Influências
Resultante de uma mestiçagem entre colonos europeus e escravos africanos, que se fundiram num só povo, o crioulo revela, não apenas na cor da pele e na língua, a sua herança europeia e africana.O carácer afável e hospitaleiro, a sua forma de estar e viver muito próprias, reunidas no termo “morabeza”, os seus costumes e tradições, moldadas pelas influências culturais múltiplas favoreceram a emergência de uma identidade cultural diferenciada: o “badiu” (natural das ilhas do sul do arquipélago, Sotavento, marcadamente mais africana) em oposição ao “sampadjudo” (natural das ilhas do norte do arquipélago, Barlavento, de influência mais europeia).

Gastronomia
Colorida pelas influências africanas mas incorporando alguns hábitos da cozinha tradicional portuguesa a gastronomia caboverdeana é rica em cores e sabores. A base da alimentação tradicional são os alimentos produzidos localmente, quase sempre incorporando o milho.Pratos de carne (porco, vaca, cabra e cabrito), simples ou guarnecidos com verduras, ou de peixe garantem uma variedade de sabores. O prato nacional de referência é a catchupa, confeccionado com carnes várias (frango, vaca, porco e enchidos) acompanhado de milho “cochido”, feijão ou favas, batata e couve e enriquecido, por vezes, com ovos fritos ou peixe. Também o modje Manel Antóne (cabrito) suscita as delícias dos apreciadores da cozinha africana.

Cabo Verde, com o seu mar rico em espécies marinhas, sustenta a variedade da cozinha cabo-verdeana proporcionando agradáveis surpresas aos apreciadores de peixe e marisco.

Nesta vertente o prato típico nacional é o caldo de peixe; o atum, peixe serra, espadarte, garoupa, esmoregal e a moreia, são algumas das espécies mais apreciadas; percebes, búzios, polvo e lagosta merecem destaque especial. É típico comer bafas de marisco, apresentadas como entradas ou simples aperitivos.

As sobremesas não devem passar despercebidas. De paladares diferenciados a doçaria, variada, baseia-se no leite e nas frutas nacionais – papaia, manga, coco, azedinha.
Os pudins, de queijo, café ou leite, são também referências importantes na cozinha caboverdeana. O queijo de leite de cabra, oriundo da Boa Vista, acompanhado de doce de papaia (apelidado de Romeu e Julieta) é uma das sobremesas mais apreciadas.

A pesca da tartaruga é proibida devendo evitar-se consumo da sua carne e ovos.

Entre as bebidas não se deve deixar de provar o vinho frutado do Fogo (branco e tinto), o manecon, produzido nas encostas do vulcão, e o café cru, um dos melhores do mundo. O famoso grogue, aguardente de cana-de-açúcar, bebida fortemente alcoólica e fabricada ainda por métodos artesanais na ilha de Santo Antão ou em zona rurais de Santiago, encontra-se generalizado por todo o arquipélago podendo ser adquirido em atraentes embalagens. O pontche e os licores de frutos juntam o “grogue” aos sabores tropicais.

Festividades
Geralmente em Fevereiro, o Carnaval é celebrado em todas as ilhas com especial evidência para os de Mindelo (São Vicente) e São Nicolau;
Em Abril, a festa da Bandeira de São Filipe (Fogo);
Em Maio o Festival da Gamboa pelas festas da Cidade da Praia (Santiago);
Em Junho, as festas tradicionais de São João e Santo António (Brava, Santo Antão e São Nicolau). A tabanka precede o São João (Santiago e Maio);

Em Agosto, o Festival da Baía das Gatas (São Vicente), evento musical com projecção internacional;

Em Setembro, o Festival de Música de Santa Maria (Sal), incluído nas festas do Dia do Município (Nossa Senhora das Dores).

Artes plásticas
Só depois da independência em 1975 é que ocorreu o surgimento de alguns artistas no campo da pintura e escultura. Nessa primeira fase, todos os trabalhos pictóricos evidenciavam o grito da liberdade e a alegria da independência. Era o fim de séculos marcados pela escravatura e o colonialismo.Actualmente, Cabo Verde se abriu para o resto do mundo. Seus artistas vão buscar influências, e até estudar, ao estrangeiro. Há uma certa globalização nas artes cabo-verdianas, mantendo-se, no entanto, certos sinais das raízes africanas, evidenciadas sobretudo na escolha das cores. Os artistas cabo-verdianos têm colocado seus trabalhos em muitas exposições, não só em seu próprio país, como também em Portugal e nos Estados Unidos.

Língua
A língua oficial é o português, usada nas escolas, na administração pública, na imprensa e nas publicações.A língua nacional de Cabo Verde, a língua do povo, é o crioulo cabo-verdiano (criol, kriolu). Cabo Verde é formado por dez ilhas (nove habitadas) e cada ilha tem um crioulo diferente. O crioulo está oficialmente em processo de normalização (criação duma norma) e discute-se a sua adopção como segunda língua oficial, ao lado do português.
► Exemplos para o crioulo: Poemas de Sérgio Frusoni (Crioulo de São Vicente),
► Cabo Verde é membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
► Cabo Verde é país-sede de um organismo da CPLP, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP)].
► Apesar de Cabo Verde pertencer à Francofonia, não se trata de um país francófono.
► O inglês e o francês são leccionados no ensino secundário.
► Existe uma comunidade de imigrantes senegaleses, especialmente na ilha do Sal, que fala também o francês.

Religião
A liberdade de religião é garantida pela Constituição e respeitada pelo governo. Há boas relações entre as diversas confissões religiosas.Os cabo-verdianos são nominalmente de maioria Católica Romana (mais de 90%).
Outras denominações cristãs também estão implantadas em Cabo Verde, com destaque para os protestantes da Igreja do Nazareno e da Igreja Adventista do Sétimo Dia, assim como a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mormons), a Assembleia de Deus e outros grupos pentecostais e adventista. Há pequenas minorias muçulmanas e da Fé Bahá’í.

A Igreja Universal do Reino de Deus também tem seguidores em Cabo Verde, como também Os rabelados são um pequeno grupo católico tradicionalista específico de Cabo Verde.

Embora não se trate de uma religião, a doutrina filosófica do Racionalismo Cristão, com origem no Brasil, tem também adeptos em Cabo Verde, nomeadamente em São Vicente e na Cidade da Praia.

Meios de comunicação

Estações de televisão
→ Português: TCV – Televisão de Cabo Verde, RTP África, TIVER, Record de Cabo Verde
→ Francês: TV5 Afrique

Estações de rádio
→ Português: RTC, RDP, rádios locais
→ Francês: RFI Afrique – FM na Praia, Mindelo, Sal, Fogo e Santo Antão
→ Crioulo cabo-verdiano: PraiaFM (Praia), Radio Kriola Radio Morabeza (Mindelo)
→ Radio Kriola com acento caboverdeano

Jornais
→ A Semana (Praia, 1991-)
→ Expresso das Ilhas
→ Jornal Horizonte (Praia, 1988-)
→ Terra Nova (S.Vicente, 1975-)
→ Artiletra (S.Vicente, 1991-)

Geografia
Cabo Verde é um arquipélago localizado ao largo da costa da África Ocidental. As ilhas vulcânicas que o compõem são pequenas e montanhosas.Existe um vulcão activo, na ilha do Fogo, que é igualmente o ponto mais elevado do arquipélago, com 2829 m.O país é constituído por 10 ilhas, das quais 9 habitadas, e vários ilhéus desabitados, divididos em dois grupos: ao norte, as ilhas de Barlavento. Relacionando de oeste para leste: Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia (desabitada), São Nicolau, Sal e Boa Vista.

Pertencem ainda ao grupo de Barlavento os ilhéus desabitados de Branco e Razo, situados entre Santa Luzia e São Nicolau, o ilhéu dos Pássaros, em frente à cidade de Mindelo, na ilha de São Vicente e os ilhéus Rabo de Junco, na costa da ilha do Sal e os ilhéus de Sal Rei e do Baluarte, na costa da ilha de Boa Vista; ao sul, as ilhas de Sotavento.

Enumerando de leste para oeste: Maio, Santiago, Fogo e Brava. O ilhéu de Santa Maria, em frente à cidade de Praia, na Ilha de Santiago; os ilhéus Grande, Rombo, Baixo, de Cima, do Rei, Luiz Carneiro e o ilhéu Sapado, situados a cerca de 8 km da ilha Brava e o ilhéu da Areia, junto à costa dessa mesma ilha.

As maiores ilhas são a de Santiago a sueste, onde se situa Praia, a capital do país, e a ilha de Santo Antão, no extremo noroeste. Praia é também o principal aglomerado populacional do arquipélago, seguida por Mindelo, na ilha de São Vicente.

Economia
As ilhas de Cabo Verde têm poucos recursos. Os mais relevantes são a agricultura e a riqueza marinha do arquipélago, sendo que o primeiro é frequentemente afectado por secas.A agricultura é prejudicada pela falta de chuvas regulares e está restrita a apenas quatro ilhas. O PIB é produzido, em sua maior parte, pelo sector terciário.

Portugal tem fortemente cooperado e ajudado Cabo Verde a nível económico e social, o que resultou na indexação de sua moeda, o escudo cabo-verdiano, ao euro, e no crescimento de sua economia interna.

A economia cabo-verdiana desenvolveu-se significativamente nas últimas décadas, e o país já pode ser contado entre aqueles com desenvolvimento humano médio. O país tem muitos emigrantes espalhados pelo mundo (com especial foco para EUA e Portugal) que contribuem com remessas financeiras significativas para o seu país de origem.

O turismo começa a ser uma fonte de receita importante. As principais ilhas turísticas são a Ilha do Sal e a Ilha de Santo Antão.